Bali Bagus!
INDONÉSIA - PARTE 2
por Alex Araujo e Rodrigo Oliveira

Mês passado* iniciamos o trip guide da ilha de Bali, terra das esquerdas e porta de entrada principal para as ondas perfeitas da Indonésia. Seguimos nesta edição mostrando como chegar, onde surfar, como proceder e quais as melhores condições para que sua estadia no paraíso seja passada, em sua maior parte, nas ondas.

Bali bagus!

Bingin É o lugar perfeito para se aperfeiçoar a técnica de pegar tubo. Bingin precisa de um swell pequeno para começar a funcionar, de cerca de cinco pés, vento leste/sudoeste e maré média, vazante ou baixa. Acima disto, a onda quebra fora da bancada, fica gorda e perde formação.

Situada ao sul de Balangan e Dreamland e ao lado de Impossibles, é uma esquerda curta e que pode ser dropada de trás do pico e, nos melhores dias, proporciona um tubo profundo seguido de uma sessão boa para manobras. A onda sempre acaba fechando no coral seco, que já tem muita história.O acesso é pela mesma estrada que leva a Padang e Uluwatu, porém, após pegar o desvio que leva a Bingin, a estrada acaba e começa outra de terra com muitos buracos e pedras ao estilo "das antigas".

Por ser uma onda relativamente fácil, perto da praia e possuir uma zona de drop bem pequena, geralmente fica crowd com apenas 8 ou 10 surfistas. Há várias cabanas com vista para as ondas para alugar no alto do morro. Outra opção é alugar uma cama com mosquiteiro em um dos muitos warungs e dormir a alguns metros do mar.

Aqui você precisa ter paciência e saber esperar a sua vez. Antes de entrar na água observe bem a onda e veja como estará a maré nas próximas horas. A última sessão da onda é bem traiçoeira e já fez muitas vítimas. Caso não seja muito experiente, não vacile e use capacete e botinhas.

Airport Rights Provavelmente essa foi uma das primeiras ondas a ser descoberta depois de "Kuta Beach" e "Kuta Reef". Seu nome se deve a sua proximidade com aeroporto, tanto que já ao aterrissar em Bali pode se ver as ondas da janela do avião. As melhores condições são swell médio com maré média ou cheia e vento sudeste. Essa direita, que pode se estender por 100m ou mais, caso as condições sejam favoráveis e proporciona uma boa parede para manobras. Situa-se há algumas centenas de metros ao sul da pista do aeroporto e quase nunca crowdeada. A única maneira de chegar é através de uma (boa) remada ou através de um dos muitos barquinhos que fazem a travessia e podem ser reservados na beira da praia.

Esse é o pico mais afastado da área e por isso requer mais tempo nos barquinhos que fazem a travessia.

Não vacile, deixe a volta organizada e não economize no protetor solar.

Airport Left A onda é semelhante "Airport rights", em localização, infra-estrutura e acesso, porém corre para a esquerda. Um swell pequeno ou médio com vento sudeste e maré enchendo são as condições ideais. As ondas são bem estilo "hot dog", podendo se estender por 50 ou 60 metros e não há tubos. Com mais de 5 pés as ondas começam a fechar. Caso o swell esteja pequeno haverá um pouco de crowd, geralmente japoneses, mas nada fora do comum. Assim como sua direita-irmã, deixe a volta organizada com o barquinho e não economize protetor solar.

Canggu Surfada desde os anos 70, porém foi nos anos 90 que passou a ficar realmente crowdeada. É um dos principais picos de treino para surfistas balineses e japoneses. Localiza-se após “Kerobokan”, há cerca de 20 minutos de “Kuta”, pela estrada que leva a “Tanah lot”.

Em “Canggu” existem diversas bancadas, sendo “Pererenam” a melhor e mais conhecida. Uma direita com um tubo logo no drop e parede para manobras no crítico. Também rola uma esquerda mais curta, porém com uma boa sessão para manobras. A cerca de 300 metros desse point, existem ainda duas esquerdas que podem ficar muito boas. Todas são ondas excelentes para um surf de alta performance. Quebra melhor com ondulação de sul, 6 pés no máximo, com maré cheia ou enchendo e pouco ou nenhum vento (melhor ao amanhecer ou fim de tarde). Sempre tem gente, pois é o pico de treino diário dos melhores surfistas balineses. Chegue bem cedo e sem chamar a atenção.

“Canggu” possui excelentes hotéis nas proximidades, porém na praia há somente uns poucos warungs servindo comida local e lanches.

Balian A palavra Balian significa "sagrado". Até poucos anos atrás, este pico de boca de rio permanecia semi-secreto com muito poucos surfistas na água, inclusive em dias clássicos. Fica cerca de 1 hora de “Kuta” (dependendo do tráfego), na metade do caminho a “Medewi”. A estrada possui um visual incrível passando por vários arrozais, rios e palmeiras, e a sinalização é precária, portanto siga sempre as placas que indicam “Tabanam” e quando estiver chegando perto, peça indicações.

Existe um hotel nas redondezas com cabanas, restaurante e piscina, além de casas para alugar, e na praia, warungs vendendo comida local e lanches no estacionamento.

“Balian” quebra para os dois lados na boca de um rio sobre um fundo de pedras redondas. A esquerda mais curta e gorda, e a direita longa e com ótima parede que proporciona vários bowls para manobras. Um swell de sudoeste de 5 pés no máximo e vento leste/sudeste, na maré enchendo ou cheia são as melhores condições.

Pelo fato de o acesso não ser bem sinalizado e de estar distante de “Kuta”, não é das mais crowdeadas, porém nos dias bons é comum encontrar muitos balineses e japoneses.

Vale a pena trazer um mapa para se achar no caminho das ondas. Certifique-se de que a maré vai estar cheia ou subindo quando chegar. Se houverem boas ondas, vale a pena o pernoite para surfar bem cedo no outro dia. Uma ótima pedida é o “Balian Beach Bungalows” que fica de frente para ondas.

Kuta Reef É a escola de surf em ondas mais fortes dos locais. “Kuta Reef” está localizada a cerca de 800 metros de “Kuta Beach”, bem em frente ao hotel “Sandi Phala” e tem acesso através de barco ou remando a partir da frente do estacionamento de onde saem os barcos.

As condições ideais de swell são de 3 a 6 pés, de sul com maré média enchendo e vento sudeste. Com as condições certas, essa esquerda pode ficar muito boa e gerar até 2 tubos por onda numa extensão de 200m ou mais. Acima de 6 pés, tende a encavalar e perder um pouco da perfeição.

É uma onda boa para entubar e manobrar no crítico.

Pela proximidade de “Kuta” é um dos picos mais crowdeados de Bali, onde todos os dias há dezenas de surfistas na água, muitos deles locais, estrutura fora d’água “classe A”, com hotel bem em frente ao pico e ótimo restaurante.

“Kuta Reef” é frequentada por muitos locais das antigas e pela nova geração, tenha isso em mente ao surfar no pico. É bom ficar atento também à maré vazante, quando a onda começa a encavalar e deixar o reef bem raso.

Poppies II Fica na parte mais turística da praia de “Kuta” e é a praia mais frequentada pelos de turistas de toda a ilha e, por estar localizada no coração de “Kuta”, possuir mais estrutura turística seria impossível. Por este mesmo motivo, o crowd é grande e formado de um misto entre locais e visitantes com diversos níveis de habilidade. Rolam vendedores muito insistentes, portanto esteja preparado.

Chega-se pela avenida beira mar, com estacionamento em toda a sua extensão. Como na maioria dos picos de “Kuta”, o ideal é swell de sul de 3 a 5 pés, vento terral e maré média enchendo. As ondas são esquerdas e direitas que proporcionam boa parede para manobras, às vezes acabando literalmente na areia. Procure se informar sobre as condições da água recentemente; algumas vezes o nível de poluição faz com que infecções como conjuntivites, otites e doenças de pele ocorram.

Halfway Escola de muitos dos grandes nomes do surf local, esse é o palco da maioria dos eventos de surf que acontecem nas areias de “Kuta”, como o campeonato "World Grommet Titles", o "Da Bull Surf Legends", o “Kuta Karnival”, etc. Está cerca de 500 metros ao norte de Poppies II, na direção do “Cube 66”.

As condições são  as mesmas de “Poppies II”, mas a onda é um pouco melhor, mais longa e abre mais. O crowd é pesado, sempre cheio de locais que arrepiam, então é bom ter discrição nas atitudes. Possui infra total em terra.

Padma Essa é a onda mais frequentada pela galera “Da Hui”, já que a loja e a fábrica estão situadas nas proximidades. Nessas ondas nasceram grandes nomes do surf balinês, como Made Kasim  e Cookie. Essa onda compartilha das mesmas condições que “Poppies II” e “Halfway” para funcionar bem. Está situada em frente a rua Padma, há uns 800 metros de “Halfway”, ou seja, chega-se pelo mesmo caminho. O crowd é pesado neste pico, respeite todos porque em “Padma”, o bicho pega.

Esquerdas e direitas quebram até a praia separadas por um canal e possibilitam várias manobras com conexão do outside para o inside. Mais uns 200 metros para a direita, existe outro banco com características semelhantes e entre “Padma” e “Canggu” existem vários picos menos conhecidos que podem dar boas ondas sem ninguém na água.

Baixa temporada

Green Balls É uma direita que oferece boa parede para manobras e algumas sessões de tubo. Boa opção para quando todos outros picos estão flat. Localiza-se logo ao lado de Ulu’s, perto do hotel Bali Cliff após uns 500 degraus até a praia. Para chegar, vá pela estrada “By Pass” como se estivesse indo para “Uluwatu” e siga os sinais que indicam o hotel.

Não existe nenhuma infra-estrutura no local, exceto alguns locais vendendo lembranças e massagens na praia. No topo do penhasco existe um bom hotel com restaurante. Funciona melhor com swell de sul de 4 a 6 pés, vento maral em “Uluwatu”, maré média ou alta e nunca fica crowd.

Certifique-se de levar água potável para a praia.

Bali Nusa Dua Essa onda quebra a 700m da praia e possui uma força incrível. Existem relatos de dias que chegou aos 20 pés com condições perfeitas, todavia, o mais comum quando entram boas ondulações é de 6 a 12 pés. “Nusa” localiza-se na costa de leste de Bali, a uns 15 a 20 minutos de “Uluwatu”. É uma direita muito longa e poderosa com algumas sessões de tubo e considerada uma das que mais se assemelha com as ondas havaianas.

O acesso é através da “By Pass”, sentido contrário a “Kuta”. Passando o Mcdonalds da Universidade, siga até a última sinaleira antes de entrar no complexo de hotéis, depois vire à direita e siga sinais e explore. Existem muitos picos na área e a intensa atividade hoteleira garante uma grande infra- estrutura. Apesar de poder rolar um crowd, o line up é bem extenso e muitos picos quebram em diferentes partes da bancada. Além disso, existem muitos outros picos na região que podem estar com condições perfeitas e vazios. Vale a pena pegar um barco até o pico, pois a corrente pode estar forte e é bom economizar energia.

Ficar esperto na última sessão conserva o couro.

Serangan São direitas e esquerdas, vários picos bem definidos e com canal. Boas para surf de alta performance onde rolam alguns tubos, a depender da direção do swell e maré. É o “Rocky Point balinês”. Fica na costa leste de Bali, na ilha “Turtle Island” com acesso pela “By Pass”, na frente do Makro, entre pela estrada branca que leva a praia. É melhor com um swell pequeno ou médio de sul e não segura grandes ondulações. O melhor vento é oeste/sudoeste e maré média ou seca. Na cheia, a esquerda na frente das pedras pode ficar boa. Por ser uma onda fácil e boa para treinar, os locais de Kuta, além de muitos japoneses surfam sempre lá.

Possui uma infra-estrutura precária com alguns warungs e restaurantes na praia. Procure um pico que esteja com boas ondas e pouco crowd, pois as ondas quebram em diversas partes da bancada. Seja educado e silencioso.

Bali Sanur Essa é uma direita longa, perfeita, com duas sessões de tubo e um inside rápido e que tende a fechar numa bancada muito rasa se a maré estiver média ou baixando. Fica na costa leste, depois de “Serangan”, acessível pela “By Pass”, passando o Makro e seguindo as indicações. Depois, dobre a direita na segunda sinaleira.

Por ser uma das melhores ondas de Bali e só quebrar durante a baixa temporada, os locais de são muito ciumentos com “sua” onda e a coisa pode ficar bem feia. Segura bem swell de sul grande acima de 6 pés com vento oeste/sudoeste e é melhor na maré média ou cheia e possui uma boa infra-estrutura com excelentes hotéis e restaurantes na beira da praia bem em frente ao pico.

Observe bem a última sessão da onda, pois conforme a maré vai baixando a bancada, super afiada, vai ficando bem rasa.

Boas ondas!

Foi em Kuta Beach o primeiro registro de surfistas em Bali, no ano de 1938, quando o californiano Robert Koke, que visitava a ilha pela segunda vez, trouxe pranchas de madeira balsa feitas no Hawaii. Ele abriu o primeiro hotel na área de Kuta que se chamava Kuta Beach Hotel e fixou residência em Bali por cinco anos. De lá pra cá muita coisa aconteceu e Kuta é hoje a praia mais popular e desenvolvida de Bali.

Fotos Douglas Cominski e Maurício Decourt

*Matéria publicada na Parafina Mag Edição 18


19/05/2012 00:00:00
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