Nas Ondas do Mar Mediterrâneo
SURF NA COSTA VALENCIANA

 

Murilo de Carvalho de Oliveira é brasileiro, tem 22 anos, estuda engenharia na USP e iniciou, em agosto do ano passado, um intercâmbio de um ano na cidade de Valência, Espanha.

Surfista fissurado, resolveu montar um blog para registrar a viagem e dividir com a galera tudo o que acontece por lá. E é com prazer que reproduzimos aqui no site uma de suas últimas aventuras na costa Valenciana. Caso vocês queiram saber mais ou acompanhar a viagem do Murilo, é só acessar http://wakeupagain.wordpress.com/. O blog está muito legal e bem escrito, e tem várias dicas para quem tem intenção de explorar aquela região. Se liga no relato abaixo:

"Só consigo dar valor à naturalidade das coisas. Não me vem o sentimento de orgulho e da vivência de uma experiência verdadeira por haver antes tentado prever, forçar ou conquistar. “Nunca persiga o amor, amizades, afeto ou atenção – se isso não for dado livremente, então não vale a pena tê-lo.” Isso nunca me caiu tão bem, e o que me fascina ainda mais do espontâneo é que a cada situação tenho mais provas de que tudo tende a caminhar para dar certo, naturalmente, onde todas as especulações se mostrariam então inúteis.

Recentemente isso se tornou bem vivo para mim durante o tempo que tive a oportunidade de conhecer o Tony, um espanhol super gente boa que se tornou um grande amigo e companheiro de surf das águas geladas mediterrâneas. Com ele pude conhecer um pouco da cultura local e outras praias da região, algo que sempre desejei fazer aqui, mas que nunca tive tanta certeza se conseguiria. O Tony conhece um pouco do litoral valenciano e sempre que podemos vamos com seu carro para praias próximas passar uma manhã ou uma tarde, surfando e conversando. Então nestes momentos vejo como tive sorte de não haver sido aprovado para um intercâmbio na França ou na Alemanha, que seja, e como eu havia ficado triste por isso antes. É como costumo comentar – não sei se só digo isso para me sentir mais confortável, como que uma desculpa (a famosa conversa do perdedor) – mas me sinto extremamente bem aqui, não poderia ter caído em um lugar melhor, e morar a 15 minutos da praia ajuda e muito neste processo. Às vezes a vida nos reserva a oportunidade de conseguirmos enxergar o crescimento e o aprendizado das adversidades, e perceber como isso se dá de uma maneira tão complexa e surpreendente, por vezes me fascina.

Para os que pensam que o mar mediterraneo é sinônimo de piscina, espantem-se, mas há vezes que vi aqui formações tão boas quanto as brasileiras. Porém a diferença é que elas são um pouco mais difíceis de ocorrerem, temos que ficar sempre ligados nas previsões. Um site muito bom que utilizo é o todosurf.com, que possibilita também o acesso à live webcams de praias locais. No verão é mais complicado haver ondas em Valência, porém a temperatura é bem mais agradável, não é necessário neoprene. Em média, é possível surfar de 2 a 3 vezes por mês no verão, com ondas de até 1,5 metro. No inverno as coisas mudam um pouco, e ficam mais excitantes. Há ondas de até 2 metros, com swells que podem durar 3 dias ou até mesmo uma semana inteira. Mas para mim o problema mesmo é a temperatura. É fundamental um neoprene longo e muito recomendável o uso de um gorro, luvas e botas, pois a temperatura da água pode chegar aos 13ºC, o que já é absurdamente frio para mim! Me lembro da primeira vez que me aventurei por aqui no começo do inverno com meu humilde short-john comprado por 13 euros numa loja de usados: 5 minutos na água e me deu um formigamento nas pernas e uma dor tão grande que não aguentei e tive que voltar. Mas depois de um tempo a gente acostuma, já estão dizendo até que estou adquirindo do sangue español pra resistência ao frio.

Duas das praias mais próximas de Valência que proporcionam um bom surf e longe de banhistas no verão são Portsaplaya e El Saler. Portsaplaya fica ao norte, a somente 10 minutos de carro. Também há ônibus locais que levam até lá, a passagem não deve ser algo maior que 3 euros dos centros de Valência. El Saler fica ao sul, a 20 minutos de carro. Fica em toda extensão do Parque Natural de l’Albufera, um parque protegido, muito bonito, com fauna e flora típicas da região. Se você não tiver uma prancha e quiser alugar uma, existem diferentes lojas pela cidade em que é possível encontrar o serviço. Uma delas inclusive, a PraiaSurf, fica em Portsaplaya e suas pranchas são shapeadas por um brasileiro, o Luis García.

Meu primeiro dia em El Saler foi incrível, as ondas estavam quebrando muito fortes e me lembrei das praias de tombo brasileiras em especial a Praia Branca, que conheço melhor. Em El saler há muito perigo de se quebrar pranchas. É aconselhável surfar com pranchas grandes com boa flutuação, pois as ondas em toda a costa são bem cheias, principalmente quando se é iniciante. Eu mesmo, com minha 6’0” (foi a mais barata que encontrei), ainda tenho dificuldades na hora da remada para o drop nessas ondas.

Uma das ideias iniciais do meu blog era a criação de um registro, ou guia das praias mediterrâneas conforme eu as fosse visitando por aqui. Tudo bem que a gente muda e cada segundo é diferente. Não tenho uma câmera boa o suficiente com padrões profissionais nem sou um perfeito escritor, porém o faço por gosto, vontade e com simplicidade e espero um dia ajudar algum leitor perdido que busca sobre estes lados pela internet. Na próxima vez Tony e eu planejamos ir a Cullera, uma cidade ao sul da Valência, e espero que eu tenha inspirações suficientes para poder registrar o que aprendi, tentando traduzir um pouco também do que vejo e do que sinto..."

VALEU MURILO! Um abração da galera aqui da PARAFA, curta bastante e mantenha o blog sempre atualizado, está muito bom!

ALOHA


19/05/2012 00:00:00
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