A 700 quilômetros de Londres e a 219 quilômetros de Glasgow, Thurso é a cidade mais ao norte da Escócia e de toda a Grã-Bretanha. Seu nome é originário do antigo idioma norueguês, falado pelo povo Viking (que visitaram essas terras séculos atrás) e significa “Águas dos Touros” e no antigo gaélico escocês: “Inbhir Theòrsa”.
O gaélico, por sinal, idioma originário dos antigos celtas, é falado por aproximadamente 70.000 pessoas, especialmente nas ilhas Hébridas. O governo incentiva o desenvolvimento e preservação da língua e da cultura gaélicas como sendo patrimônio cultural.
A Escócia, mundialmente reconhecida como sendo lar dos melhores maltes e whiskys, além de terra natal do ator e eterno 007, Sean Connery, é também uma terra rica em histórias, mitos e surf. Neste ano, foi a cidade de Thurso que acolheu o O’Neill Coldwater Classic, vencido pelo sul-africano Royden Brysson com ondas perfeitas, tubulares e manobráveis.
História
Na época da invasão romana do Reino Unido, o lugar hoje conhecido por Escócia foi habitado principalmente pelos Pictos. O Império Romano nunca conseguiu impor completamente seu poder na Escócia. No século VI, indivíduos originários da Irlanda estabeleceram-se em Argyll. A região de Lothian era povoada pelos anglos, e os bretões se instalaram na região de Strathclde. No século IX, algumas regiões da Escócia foram sujeitas a ataques Vikings, principalmente nas ilhas próximas à Thurso.
Conflitos com a Bretanha
Guerras entre a Inglaterra e a Escócia eram frequentes na Idade Média. Havia, no entanto, fortes laços entre os dois reinos e vários reis escoceses possuíam terras e títulos na Inglaterra, além de muitos casamentos entre as famílias reais inglesas e escocesas existirem. Apesar de diversos levantes terem fracassado, tais como a derrota de William Wallace em 1298 (retratado no filme “Coração Valente” com o ator Mel Gibson), foi a vitória de Robert the Bruce sobre Edward II da Inglaterra no ano de 1314, em Bannockburn, que assegurou a sobrevivência do Reino da Escócia independente.
As duas coroas finalmente se uniram quando Elizabeth I da Inglaterra foi sucedida, em 1603, por James VI da Escócia (James I da Inglaterra), seu herdeiro mais próximo. Mesmo assim, a Inglaterra e a Escócia permaneceram organizações políticas independentes durante o século XVII, com exceção de um curto período de unificação imposto durante o reinado de Oliver Cromwell, na década de 1650. Em 1707, optando por uma união política e econômica mais sólida os parlamentos inglês e escocês decidiram por um parlamento único para a Grã-Bretanha.
Cordeiros e Pessoas
O episódio histórico que mais marcou o destino das highland na época moderna são as "limpezas" (clearances) dos séculos XVII e XIX, quando milhares de pessoas foram desalojadas e forçadas a emigrar ao sul ou para América e Austrália. Isto se produziu quando o sistema feudal imperante na ilha (baseado no tradicional sistema de clãs) entrou em crise e a necessidade dos senhores de dispor de um "exército" de súditos dispostos a lutar desapareceu. O deslocamento da população excedente permitiu aos clãs estabelecer rebanhos de cordeiros, com mais rendimento econômico. Ainda hoje, a população de cordeiros é muito superior à de pessoas.
Paisagens deslumbrantes
Paisagens inebriantes de pradarias envoltas em nevoeiro, vales enormes e aparentemente sem fim, praias que respiram e inspiram histórias, antigos mitos e superstições, assim pode-se caracterizar o clima frio das highlands escocesas. Não é à toa que, sendo lar de inúmeros castelos medievais, a população acredite rondarem os fantasmas de seus antigos proprietários. Muitos são atração turística e alguns até “hotéis assombrados” onde as pessoas pagam para se hospedarem em quartos com “fantasmas” inclusos na conta.
Algumas áreas escondem inúmeros sites que guardam, ainda hoje, muitos vestígios da idade dos metais e de civilizações pré-históricas, formações rochosas e vales esculpidos na idade do gelo, como por exemplo, o vale de Loch Ness, lar do Lago homônimo e de seu monstro mítico.
As praias de Thurso e localidades próximas são um desbunde à parte, tanto pelas ondas quanto pela rude beleza que adentra os olhos. Imagine poder surfar ondas perfeitas com pouco crowd nas mesmas praias onde inúmeros combates aconteceram, e onde o antigo povo Nórdico aportava durante suas viagens pelo Atlântico Norte?
Surfar em Thurso é uma viagem ao passado e ao presente de uma das culturas mais peculiares, ainda não muito difundidas, além de fugir do terrível crowd que assola a maioria dos mais famosos surf spots do planeta.
Se você é daqueles que não tem medo de uma boa aventura e está disposto a entrar numa fria para pegar boas ondas, Thurso é para você! Surf “on the rocks”. Está servido?
Acomodações
Em Thurso as acomodações são muitas, para todos os gostos e bolsos, desde hotéis caros (estes bem fáceis de achar e, portanto não listados por aqui) mais para o centro da cidade, até os albergues ou hostels, como o Sandra Hostels, (http://www.hostels.com/maps/Sandra's-Backpackers-Hostel/5076) que aluga camas por cerca de 20 Euros.
Se você é daqueles que curte uma viagem mais roots, feral e procura acomodações ainda mais em conta, o site a seguir lista inúmeros campings pela Escócia: http://pt.camping.info/gr%C3%A3-bretanha/esc%C3%B3cia/parques.
Picos:
THURSO EAST
É o pico mais conhecido de Thurso. Um point break de qualidade e power cinco estrelas. Apesar de ser versátil e funcionar com todas as marés, é importante um cuidado com a maré seca, pois realmente a coisa fica mesmo muito extrema.
As ondulações vão desde as marolas até os 10 pés e acima nos dias de ondulações mais poderosas. Funciona melhor com ondulações nordeste e norte (ocasionalmente noroeste) e com ventos sul e suas variações.
Outros spots muito bons e menos famosos que certamente fará a cabeça do surfista viajante, são:
“Shit Pipe” - a 1 km de distância de “Thurso Beach”
“The Spur” - a cerca de 4 km
“Murkle Point” - 1 km mais longe que o anterior, e
“Nothing Left” - o pico mais distante, todavia, a apenas 6 km da praia de Thurso.
Agora que você já sabe o caminho, é acrescentar umas pedras de gelo, coragem e degustar o melhor malte que os mares escoceses podem te proporcionar.
Boa trip.