Das Ondas do Mar para as Ondas do Rádio
TECO PADARATZ
por Priscila Boabeyd

 

Flávio "Teco" Padaratz . Difícil encontrar alguém no país que não conheça este nome. Por exemplo, eu estava revisando esta entrevista e de repente um executivo, amigo meu, que nada tem a ver com o mundo surf, bateu o olho no nome e tascou: “Ah, esse Flávio Padaratz é o Teco, não é? Excelente surfista, famoso né?”

Pois é. Esse é o Teco que o Brasil inteiro conhece. Nascido em 1971, começou a surfar em Camboriú com 10 anos e com uma prancha de isopor emprestada. Ficou em pé na primeira onda que pegou. E não parou mais.

Praticava judô e basquete, e sempre gostou de competir. Um dia decidiu entrar em um campeonato local de surf. Ganhou. E não parou de ganhar. Avelino Bastos, dono da Tropical Brasil, se tornou uma espécie de “tutor” do moleque, botou ele pra rodar o Brasil e o mundo, morar fora, estudar inglês, enfim, tudo o que fosse preciso pra colocá-lo no circuito mundial com sucesso. E foi o que aconteceu. Entre outras façanhas, foi bicampeão mundial do WQS e o primeiro brasileiro a bater Kelly Slater numa final de campeonato.

Este fato merece uma menção especial. Lembro de assistir esta final ao vivo, numa época em que a TV aberta fazia a cobertura do mundial, e de vibrar a cada patada de backside que ele desferia nas ondas francesas. A cara de frustração do Kelly, quando viu que não ia ter chance de vencer aquela final, também foi memorável. Assim como a cara de felicidade do Teco. “Priceless”...

Em 2003, já cansado do tour e querendo viver uma vida mais tranquila curtindo sua mulher e suas filhas, largou as competições. Fez várias coisas desde então, mas o que mais ele gosta de fazer, sua verdadeira “nova” paixão, é música.

Este lado do ídolo “Teco” ainda é pouco conhecido do “grande” público. Mas isto vai mudar. Com vocês, Flávio “Músico” Padaratz, em uma entrevista exclusiva para a Parafinesca Priscila Boabeyd. (Depois é só entrar em seu site e apertar o play! Vai lá: www.tecopadaratz.com.br)

 

Qual som você costuma ouvir?

Eu costumo ouvir Pete Murray, Pearl Jam, Missy Higgins, mas tenho tido pouco tempo pra ouvir música, é mais quando estou no carro.

 

Qual foi o melhor show que você já assistiu?

Acho que foram alguns, Jack Johnson na praça em frente a Hossegor, na França, onde venci uma etapa do circuito da ASP; outro do Rolling Stones no Pacaembú, embaixo de chuva!!! E mais um do Pearl Jam, em Curitiba, há uns anos atrás. Sem falar do Concrete Blonde, no Festival WCT de 2003.

 

Na sua opinião, há ligação entre o surf e a música?

Sempre haverá, pois ambos são praticados em cima de dois fenômenos naturais, como a onda sonora e a do mar. Inclusive estes fenômenos levam o mesmo nome nos dois exemplos. Acho que as culturas de rebeldia sempre andaram juntas e isso deve seguir assim por muito tempo.

 

Quando você se viu cantor pela primeira vez?

Acho que foi no Planeta Atlântida, há uns anos atrás, no palco com o Armandinho, pois ele havia me convidado e dito pra eu não me preocupar, pois cantar para 30 mil pessoas é como dropar ondas grandes, no começo dá um nervoso, mas depois é absolutamente viciante!!!

 

Quantas músicas você já compôs?

Ishhhh, perdi a conta! Acho que já cheguei a umas 100 músicas ao todo.

Só entre os discos do Surf Explícito, minha primeira banda, mais o do El Niño, e o meu disco solo (Verdade Sempre) que sai agora, que são as faixas registradas, já são 32 faixas. Isso sozinho e em parceria com outros compositores.

 

Quais mensagens você procura transmitir nas suas composições?

A de viver sua verdade sempre que possível, e acabo usando da emoção de surfar para criar a pegada, os ritmos e melodias das músicas, pois o resto a vida nos ensina muito e estes ensinamentos são meus assuntos musicais.

 

Como foi sua primeira vez no palco?

Bom, foi há muito tempo atrás, no dia do meu casamento, quando subi na batera de um amigo, sem nunca ter tocado com alguém e tirei uma música inteira. Foi "Easy", na versão do "Faith No More". Foi incrível como saiu o som das minhas mãos.

 

Essa apresentação foi decisiva na sua opção por continuar cantando?

Eu só fui cantar mesmo no palco do Planeta, com o Armandinho. Depois disso, acreditei no que ele me disse, que eu tinha que cantar as músicas que já escrevia, pois nós já vínhamos compondo juntos por algum tempo. Ele disse também que "cantar é como surfar, quanto maior o público, maior a onda surfada." A partir dali, fui atrás disso com tudo, pois sempre foi um sonho cantar.

 

Qual é a parceria musical dos seus sonhos?

Fazer uma música com Eddie Vedder do Pearl Jam!!!!

 

Qual é a sua opinião em relação ao quadro musical da atualidade, no Brasil?

Acho que a música está passando por uma das suas maiores crises de identidade, digo no sentido dos veículos, principalmente e, por consequência, com as bandas. A internet revolucionou todo um mercado em menos tempo do que os "Beatles". Isso está transformando tudo, e quem souber agir neste novo modelo de mercado vai se dar bem, só que de outras formas.

 

Quais são suas expectativas pro futuro?

Espero que com este cd eu possa mostrar quem eu realmente sou na música e quais são minhas características principais, afinal é o primeiro trabalho solo e isso conta muito!!!

 

(matéria publicada na PARAFA #30)


19/05/2012 00:00:00
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