Se você estava vivo durante os anos noventa e tinha mais de 15 anos, então deve ter ouvido falar (ou a música) do Supergrass. A banda fez um sucesso danado com seu primeiro disco “I should coco” por conta do hit “Alright” onde eles cantavam a alegria de ser jovens e estarem vivos, e falou-se bastante sobre certa erva verdinha, que não é grama. Mas como acabou acontecendo com muita gente na época, frente às bandas da cena da cidade americana de Seattle (Nirvana, Alice in Chains, Soundgarden, Pearl Jam e etc.) o Supergrass passou, graças ao mesmo single que o levou ao sucesso, como bandinha “alegrinha” e não teve tanto destaque por aqui.
Como acontece, graças aos milagres dos MP3, acabei por (re) descobrir o primeiro disco da banda há alguns anos e (re) comprovar que “Alright” não era nem de longe a melhor música do disco, e mais, procurei (e descobri) todos os outros discos da banda que, para surpresa desse, que vos escreve, continuou em franca evolução e desenvolvimento do som que foi ficando cada vez mais maduro e rico. Resultado: tornou-se uma das minhas preferidas.
Um dos grandes discos dos caras é “In it for the Money”, um álbum despreocupado e cínico (o nome em português seria algo como “Estamos nisso pela grana”) e sua música de trabalho chamou-se “We still need more?”- (E ainda precisamos de mais?) - mostrando que o bom humor e a crítica ácida à pseudo-rebeldia do rock n’roll dariam a tônica do disco, Graças a Deus!
O trio conseguiu nesse disco unir o psicodelismo de Kinks, Small Faces e até dos Beatles (da época do Magical Mistery Tour) e diversas texturas do punk ao new age sem perder o gancho POP. Com isso, acabou elevando seu segundo disco anos luz de muitas coisas que aparecem, inclusive hoje em dia. Pode-se arriscar a dizer sem medo que os caras foram influência para bandas como o White Stripes e outras.
Só para se ter a ideia do feeling dos caras, o estúdio onde o “primeirão” foi gravado era numa região rural da Inglaterra e as sessões duraram apenas uma semana! Como eram muito jovens e “levemente delinqüentes” alguns produtores de TV, percebendo uma semelhança com os Monkeys, ofereceram uma série televisiva para aproveitar-se do fato. Obviamente os rapazes declinaram “delinquentemente” com o dedo médio (como contaram na época) e seguiram apenas (e sabiamente) apenas com a música.
Vale a pena procurar os outros discos desse power trio inglês. Quem já conhece vai se deliciar na redescoberta e quem ainda não os descobriu vai conhecer uma das bandas mais legais que temos ainda hoje em atividade. Sem falar que é um som e tanto para a aventura na próxima trip. Seleção classe A para qualquer MP3 (ou 4) player, I-pod, I-phone, no carro...
Rock de verdade com muito bom humor e atitude.
Ouça bem alto!
Matéria Publicada na PARAFINAmag Edição 27