Jack Hody Johnson nasceu em 1975 próximo a Haleiwa, no North Shore da lha de Oahu, Hawaii. Sendo filho de Jeff Johnson, famoso surfista da ilha, obviamente o oceano e o surf tiveram uma grande influência em sua vida. Jack praticamente aprendeu a surfar ao mesmo tempo em que aprendia a andar e tornou-se muito bom nisso, tanto que aos 17 anos, já possuía patrocínio da gigante Quiksilver e fez história ao passar as triagens e entrar o evento principal no Pipe Masters.
No entanto, sua carreira como surfista profissional teve nesse mesmo evento o seu principal revés. Jack sofreu um acidente feio durante o Pipe Masters que o deixou seriamente machucado (ele perdeu vários dentes e precisou de dezenas de pontos na boca) que o deixou fora da água por um bom tempo. Durante esse tempo, ele reavaliou algumas coisas e redirecionou sua vida. Nunca, no entanto, deixando o surf e a sua cultura de lado.
Ele havia aprendido a tocar violão cedo, com o pai de um grande amigo, todavia nunca foi uma opção levar a vida através das cordas do instrumento. Johnson estudou cinema na universidade e co-dirigiu em 1999 o filme soul surfer chamado “Thicker than Water”, no qual também arriscou-se produzindo a trilha sonora e, em 2000, participou com a trilha e outras cositas do “September Sessions”, que ganhou o Surfer Magazine Pool Award.
Sua explosão como músico deu-se início quando, numa sessão de surf, ele acabou conhecendo o músico G-Love, que gostou e gravou sua música “Rodeo Clowns” no disco Philadelphonic, com Jack tocando e cantando na faixa. A gravação dessa faixa e de uma demo com 4 músicas acabou nas mãos do músico Ben Harper e de seu braço direito, J.P. Plunier, que tanto gostaram que Plunier acabou trabalhando na produção do seu primeiro disco solo, Brushfire Fairytales, em 2001, com Harper tocando sua lap steel guitar em participação especial.
Em 2004, com o disco “On and On” é que Jack realmente apareceu para o mundo. O disco produzido pelo brasileiro Mário Caldato Jr. vendeu como água no mundo todo e transformou o surfista havaiano em estrela da música. O disco ganhou força com a ajuda de Bem Harper que o convidou para abrir vários de seus shows e por causa da nação surfista que abraçou o seu som como a nova trilha sonora da surf culture do “aloha”.
Depois, Jack saiu pelo mundo em turnê, lançou o excelente “In Between Dreams”, de 2005 e “Sleep Through the Static”, de 2008, consolidando sua carreira firmemente. Jack ainda criou a Kokua Hawaii Foundation, entidade sem fins lucrativos que ensina educação ambiental nas ilhas havaianas, além de ajudar outras organizações de amigos como Kelly Slater e Rob Machado.
Quem pode pensar que o mundo do estrelato mudou a sua personalidade se engana capitalmente. Em sua última visita ao Brasil, há alguns anos, no Rio de Janeiro, Jack surfou com a prancha emprestada por um fã na praia e tocou e cantou com surfistas e banhistas mostrando que continua cultivando a mesma personalidade “gente fina” pela qual ficou conhecido.
Quanto ao surf, Jack ainda mora em Oahu, bem próximo a Pipeline e pode ser visto surfando essa e as demais ondas do North Shore religiosamente sempre que está em casa.
Matéria publicada na PARAFINAmag Edicão 21